Perfil Genômico do REDOME / REREME

O transplante de células-tronco hematopoéticas representa, para muitos pacientes portadores de graves doenças hematológicas, a única opção de cura. A realização deste procedimento depende de um doador compatível para os genes do sistema HLA (human leucocyte antigens) mas apenas 30% dos pacientes irão identificar este doador entre seus familiares o que levou a criação dos cadastros de doadores voluntários ao redor do mundo, totalizando mais de 20 milhões de doadores.

No Brasil, esta atividade iniciou-se com a fundação, em 1993, do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), em São Paulo, pelos Drs. José Roberto Feresin de Moraes e Maria Elisa Moraes. Em função das dificuldades no desenvolvimento do cadastro, o REDOME foi transferido, em 1999, para a gestão do Instituto Nacional de Câncer – INCA, no Rio de Janeiro, e recebeu, através de ações do Ministério da Saúde e da mobilização de uma grande rede que inclui hemocentros, centros de transplante e laboratórios de histocompatibilidade, um significativo incremento tanto nos recursos necessários quanto na legislação pertinente. Com ações pontuais nas áreas de comunicação e gestão de negócios implementadas pelo INCA e, com o apoio irrestrito do Sistema Nacional de Transplantes – SNT/SAS, foi possível alcançar a marca de mais de 3 milhões de doadores, representando, hoje, o terceiro maior registro de doadores voluntários de células-tronco hematopoéticas do mundo (www.bmdw.org).

Entretanto, apesar deste grande número de doadores, muitos pacientes no Brasil e no exterior, ainda têm dificuldades em identificar um doador HLA-compatível o que significa que algumas especificidades HLA, típicas da nossa população, podem não estar representadas no REDOME e, por este motivo, a inclusão de novos doadores ao registro deve procurar atender a esta necessidade.

Neste sentido, em 2006, com o objetivo de fornecer dados adequados para o planejamento estratégico do REDOME,  foi desenvolvido um estudo intitulado “Análise da capacidade do REDOME/RENACORD em suprir as necessidades dos pacientes registrados no REREME “. Os resultados deste estudo , com a descrição da frequências dos alelos e haplótipos HLA  de indivíduos cadastrados no REDOME (doadores voluntários) e no  REREME (receptores), foram  apresentados como tese de doutorado no Programa de pós – graduação em Oncologia do INCA e  reforçaram o interesse de pesquisadores das áreas da histocompatibilidade, imunogenética e genética populacional (Ref. Luis Fernando da Silva Bouzas, tese de doutorado – Programa de Oncologia -INCA, disponível em www.capes.gov.br).

Finalmente,  em 2011, alguns destes pesquisadores,  reunidos  no Simpósio Brasileiro de HLA e Doença, acolheram, com entusiasmo, a proposta do Dr. Jose Artur Bogo Chies para a criação da Rede Brasil de Imunogenética e, em 2012,   foi estabelecido como um dos objetivos prioritários desta Rede, o estudo e a divulgação  dos resultados referentes a diversidade HLA do REDOME e do REREME uma vez que estes dados, em uma população tipicamente miscigenada como a brasileira, permitirão a detecão de alelos raros ou novos alelos relacionado-os com os dados censitários, além de informações, obtidas a partir de diversos marcadores moleculares, quanto a constituição genética de nossa população, ou seja, nossa ancestralidade .  Por outro lado, estas informações poderão subsidiar  a elaboração de um “mapa” de distribuição nacional, dos alelos e haplótipos HLA e suas respectivas frequências, servindo de base para o desenvolvimento de campanhas de cadastramento de novos doadores e planejamento de recursos pelo Ministério da Saúde.

Os principais objetivos deste projeto incluem:

  • determinar a frequência dos grupos alélicos HLA-A, -B, -C, -DRB1 e –DQB1 (baixa/média resolução) e a frequência dos haplótipos constituído por estes genes na amostra total de doadores cadastrados no REDOME, estratificada de acordo com a residência (municipalidade), hemocentro captador, faixa etária, sexo e naturalidade dos doadores;
  • determinar a frequência dos grupos alélicos HLA-A, -B, -C, -DRB1 e –DQB1 (baixa/média resolução) e a frequência dos haplótipos constituído por estes genes na amostra total de pacientes cadastrados no REREME, estratificada de acordo com a residência (municipalidade), centro de transplante, faixa etária, sexo, naturalidade  e diagnóstico dos pacientes ;
  • planejar e executar a atualização periódica destas informações considerando sua  importância no cadastro de novos doadores de medula óssea, e também nas estratégias para resolução de resultados ambíguos nas tipagens HLA de alta resolução;
  • comparar os dados de frequências de alelos/grupos de alelos e dos haplótipos dos pacientes inscritos no REREME com os dados dos doadores voluntários de medula óssea cadastrados no REDOME e desenvolver um algoritmo que permita calcular a probabilidade de compatibilidade entre receptor e doadores que estão cadastrados no REDOME;
  • confirmar a tipificação HLA dos alelos identificados como raros ou novos entre os doadores cadastrados no REDOME, em um total de até 500 indivíduos;
  • analisar marcadores genéticos de ancestralidade em uma amostra de 250 indivíduos e comparar estes resultados com os dados de etnia/raça indicados pelos doadores cadastrados.

Cronograma